A fachada do Palácio do Congresso Nacional foi iluminada com uma projeção em celebração aos 200 anos de instalação da Câmara e do Senado na noite de quarta-feira (6). A ação destacou o compromisso do Poder Legislativo com a preservação da memória institucional, o fortalecimento da democracia e o papel histórico das duas Casas Legislativas na conquista de direitos individuais e sociais e na construção de um país mais justo e digno.
Michel Temer presidiu a Câmara por seis anos, em diferentes períodos da história do país. Constitucionalista, foi deputado constituinte, além de vice-presidente e presidente da República. Nesta entrevista, Temer destacou o Legislativo como o maior sustentáculo da democracia e o Poder que melhor representa a vontade popular. Ao relembrar seus seis anos à frente da Casa, ressaltou marcos da sua gestão, como a criação da TV Câmara, que garantiu transparência aos atos públicos, e a reinterpretação constitucional sobre o trancamento de pauta por medidas provisórias – decisão que devolveu ao Congresso a capacidade de legislar sobre temas não versáveis por MPs. Temer também defendeu a harmonia entre os Poderes, alertando que crises institucionais representam desobediência à vontade do povo, expressa na Constituição.
Como nasceu a Câmara dos Deputados e para quem ela foi criada? Este episódio investiga o surgimento do Parlamento brasileiro em 1824, revelando o caráter inicialmente elitista e excludente da representação política no Brasil Império. Da dissolução da Assembleia Constituinte por Dom Pedro I à Constituição outorgada, o programa mostra como a democracia representativa nasceu como um espaço de poder restrito a homens livres com renda — deixando de fora mulheres, negros escravizados e libertos, indígenas e a imensa maioria da população. Ao traçar a linha do tempo até a Proclamação da República, o episódio estabelece o contraste fundador: o Parlamento que nasceu para ser contrapeso ao poder absoluto começou, ele próprio, profundamente antidemocrático.
Da exclusão total à luta por representação real: a trajetória das mulheres no Parlamento brasileiro. Usando Bertha Lutz como fio condutor — líder do movimento sufragista, deputada federal entre 1936 e 1937 e autora do Estatuto da Mulher —, o episódio percorre a conquista do voto feminino em 1932, a chegada das primeiras deputadas e o longo caminho até hoje. O programa examina também a vida e o legado de Antonieta de Barros, primeira mulher negra a assumir mandato popular no Brasil, revelando as camadas de exclusão que se sobrepunham. Ao confrontar avanços institucionais (lei de cotas, bancadas femininas, Secretaria da Mulher) com os desafios atuais — sub-representação, violência política de gênero, interrupções no plenário —, o episódio questiona: o que ainda precisa mudar para que a Câmara reflita a sociedade que diz representar?
Quem representa quem? Este episódio enfrenta a pergunta central da democracia brasileira ao longo de 200 anos. Percorrendo cinco regimes políticos — Império, Primeira República, Era Vargas, Ditadura Militar e Redemocratização —, o programa examina como o conceito de representação foi sendo disputado, interrompido e reconstruído. Mais do que uma história institucional, o episódio investiga quem são os deputados, quais grupos econômicos e sociais estão por trás dos mandatos, e como bancadas temáticas (ruralista, evangélica, segurança, trabalhadores) expressam ou capturam a diversidade da sociedade. O programa analisa também os momentos em que a sociedade pressionou e transformou a Câmara — das Diretas Já ao impeachment de Collor, de Junho de 2013 aos ataques de 8 de Janeiro. Entre crises de legitimidade e aperfeiçoamentos institucionais, o episódio pergunta: o Brasil tem a democracia que sua história permitiu construir — ou tem menos do que poderia ter?
Do papel manuscrito à inteligência artificial: como a tecnologia transforma a relação entre o Parlamento e a sociedade. Este episódio percorre 200 anos de evolução tecnológica da Câmara — da taquigrafia ao rádio, da televisão à internet, do Portal e-Democracia à IA Ulysses — mostrando que cada salto tecnológico criou novas possibilidades e novos dilemas para a democracia. O programa apresenta as ferramentas digitais atuais (enquetes legislativas, WhatsApp Comprove, LabHacker) e os recursos de acessibilidade (Libras, avatares, audiodescrição) que ampliam o acesso ao Parlamento. Mas o episódio também enfrenta as contradições: a exclusão digital que aprofunda desigualdades, a desinformação que corrói a confiança nas instituições, e os dilemas éticos da IA no Legislativo — transparência algorítmica, viés nos dados, substituição do julgamento humano. A pergunta final é radical: a tecnologia do século XXI vai fortalecer a democracia representativa — ou vai torná-la obsoleta?