A Comissão Curadora dos 200 anos da Câmara dos Deputados apresenta

Esta exposição apresenta a trajetória das sedes da Câmara dos Deputados como um percurso pela própria história do Brasil, revelando como arquitetura, política e memória se entrelaçam ao longo do tempo. Dos edifícios coloniais adaptados às grandes obras monumentais, cada sede reflete os contextos, desafios e transformações do país em diferentes períodos.

Ao acompanhar essa evolução, da Cadeia Velha ao Congresso Nacional em Brasília, o visitante é convidado a compreender não apenas as mudanças físicas das instituições, mas também o desenvolvimento da democracia brasileira, suas tensões, conquistas e permanências. Mais do que espaços de trabalho legislativo, essas construções são testemunhos vivos da formação política e cultural do Brasil.

A primeira sede da Câmara dos Deputados foi o edifício da Cadeia Velha, no Rio de Janeiro, construção do século XVII de formas simples que reunia funções administrativas e judiciais da cidade colonial.

Inicialmente localizada no Morro do Castelo e depois transferida para a região baixa devido ao crescimento urbano, a edificação foi palco de importantes episódios históricos, como a prisão de Tiradentes e dos inconfidentes em 1792.

Após a Independência, abrigou a primeira Assembleia Constituinte, dissolvida em 1823 por Dom Pedro I, e, a partir de 1826, tornou-se sede do primeiro Congresso Legislativo brasileiro, função que manteve até 1914.

Aprovação da Lei Áurea no plenário da Cadeia Velha, Rio de Janeiro, RJ, 1888.
Crédito: Antonio Luiz Ferreira/ Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro, RJ

Com a Proclamação da República, a Câmara dos Deputados reuniuse temporariamente no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, antiga residência imperial do início do século XIX, posteriormente transformada em edifício de estilo neoclássico. O local sediou o Congresso Constituinte que elaborou a primeira Constituição republicana, após o qual a Câmara retornou à Cadeia Velha. 

A partir de 1892, o palácio passou a abrigar o Museu Nacional da UFRJ e, desde o incêndio de 2018 que o danificou gravemente, encontra-se em processo de restauração.

Museu Nacional – Palácio de São
Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, c. 1885.
Crédito: Marc Ferrez / Acervo Instituto
Moreira Salles

Construído originalmente para a participação do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis, nos Estado Unidos, em 1904, onde recebeu medalha de ouro, o pavilhão foi remontado no Rio de Janeiro e inaugurado em 1906 como Palácio Monroe, em referência à doutrina de James Monroe.

De estilo eclético e símbolo da Belle Époque, o edifício abrigou a Câmara dos Deputados entre 1914 e 1922, sendo depois destinado à Exposição do Centenário da Independência. Apesar de seu valor arquitetônico, foi demolido em 1976 em meio a controvérsias envolvendo o governo, a imprensa, o Iphan e as obras do metrô.

Marc Ferrez. Palácio Monroe, Rio de Janeiro, RJ, c. 1910.
Crédito: Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles

Inaugurado em 1910, o prédio da Biblioteca Nacional, de estilo eclético com forte influência neoclássica, foi concebido para abrigar permanentemente a biblioteca real trazida ao Brasil em 1808 e se tornar a principal biblioteca
do país.

Entre 1922 e 1926, a Câmara dos Deputados funcionou provisoriamente no local enquanto aguardava a construção do Palácio Tiradentes, o edifício passou por adaptações, como a da área de exposição ao redor da galeria e a transformação do Salão de Leitura em plenário.

Avenida Central; à direita, Biblioteca Nacional e
Escola Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ, c.
1908. Crédito: Marc Ferrez/Coleção Gilberto
Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles

Inaugurado em 1926, o Palácio Tiradentes marcou a conquista de uma sede própria para a Câmara dos Deputados após décadas em edifícios adaptados. Projetado por Archimedes Memória e Francisco Couchet e erguido no local da antiga Cadeia Velha, onde Tiradentes esteve preso, o edifício de estilo eclético reúne inovações técnicas e rica ornamentação, com vitrais, pinturas e esculturas que simbolizam valores nacionais e momentos históricos.

Após a transferência da capital para Brasília, abrigou instituições legislativas locais e, atualmente, é sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, sendo tombado pelo Iphan.

Palácio Tiradentes, atual Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro, RJ, c. 1926.
Crédito: Augusto Malta/Acervo Instituto Moreira Salles

A transferência da capital do Brasil do Rio de Janeiro para o interior do país foi motivada por razões estratégicas, de segurança e de integração nacional, ideia presente desde a Constituinte de 1823 e reforçada ao longo das Constituições seguintes até se concretizar no governo de Juscelino Kubitschek com a construção de Brasília, inaugurada em 1960.

Planejada como símbolo de modernidade, a nova capital exigiu grande esforço logístico e político, com a criação da Novacap e a transferência de milhares de pessoas para uma cidade ainda em construção. Nesse contexto, o Congresso Nacional iniciou suas atividades em meio a limitações estruturais, que foram superadas com a expansão do complexo e a
construção de anexos, preservando a arquitetura original. Ao longo do tempo, o espaço se modernizou, incorporou tecnologia, ampliou sua infraestrutura e consolidou-se como centro da atividade legislativa e símbolo da democracia
brasileira.

Palácio Tiradentes, atual Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro, RJ, c. 1926.
Crédito: Augusto Malta/Acervo Instituto Moreira Salles

Arte: Pablo Alejandro – Rafael Teodoro – Agência Câmara de Notícias – 25/05/2026

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